18.3.08

o dia em que Beckett virou pastelão

Surpreendente. Mais surpreende que um espetáculo é a reação das diversas platéias ao assistí-lo. Muitas vezes elas pegam os atores de calças curtas. Concentração. Indispensável para que o espetáculo possa dar andamento diante do inesperado.

Sexta passada isso aconteceu. Um público reagiu inesperadamente ao texto de Fim de Partida dando milhões de gargalhadas. Como se tivessem assistindo ao Gordo e o Magro recebendo tortas na cara.

Nós atores. Surpresos diante da situação. Quebramos. O espetáculo seguiu diante da nossa perplexidade. De repente. Pessoas riam. Riam com gosto. E toda angústia beckettiana. Toda aquela falta de perspectiva nos devolveu um novo olhar.

Realmente Nell tinha razão: Nada é mais engraçado que a infelicidade, com certeza.

Foi a prova cabal.

Um comentário:

Andréa disse...

Foi o quê aconteceu em uma peça na qual fiz a operação de som. Era um drama - com cenas de abuso sexual e discussões teológicas - chamada "Adega do Anjos". Mas a platéia ria e ria. Um bom Beckett feito para dar risada é "Beckett in White - A comédia". É desesperadamente hilário. Fantástico! E não são só risos. Não sei se vai se lembrar, mas te mandei um e-mail dizendo que iria assistí-los. Queria muito mesmo ter ido, porém outros compromissos não permitiram. Como foi? Casa cheia? Ah, escrevo aqui: http://querocultura.wordpress.com e o pessoal é http://maiores.informacoes.zip.net , se tiver interesse. O primeiro está com um layout fresco, mas caso interesse, procure meus texto em "previous" ao final da página. Meu nome é Andréa Albuquerque, jornalista em formação. Prazer.

 
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